Eu estou, simplesmente, amando a adaptação de The Last of Us da HBO. Neil Druckmann certamente soube trazer Craig Mazin (da excelente minissérie Chernobyl) para dentro de sua história, dando mais profundidade a diversos pontos do game, enriquecendo ainda mais seu universo e mostrando um incrível nível de atenção aos detalhes, contando com um casting cirúrgico e atuações sensíveis e emocionantes.

Entretanto, pra vender o peixe, Craig Mazin pareceu desconsiderar ao menos uns 35 anos de história ao afirmar que “antes de The Last of Us, um game consistia em “pular na cabeça de um inimigo, morrer e tentar novamente”. O quão consciente essa afirmação foi ou não, definitivamente não sabemos, mas ela me fez querer vir aqui e falar um pouco sobre games que possuem uma grande história. Botei logo os três primeiros que me vieram à mente tentando usar como critério narrativas diferentes entre si, e sobre os quais nunca falei aqui, mas certamente, podemos conversar sobre quaisquer outros no futuro.

Este post não é, e nunca vai ter a intenção de ser, algum tipo de afronta ao Sr. Mazin, até porque, quem sou eu pra fazer isso? Eu quero é ser amigo dele! É só uma oportunidade pra falar um pouco mais de videogame pra quem não conhece, mesmo.

E ah! Logo eu volto pra falar exclusivamente sobre The Last of Us. Mas por enquanto, vamos lá:


Portal (Puzzle, Valve, 2007)


Lançado como componente da Orange Box da Valve, que reunia Half-Life 2 e seus Episode One e Two, além de Team Fortress 2, Portal era o elemento misterioso do pacote, que não tardou em agradar público e crítica com uma premissa bastante simples: resolver, em primeira pessoa, os puzzles propostos com a ajuda de uma arma que atira… portais.

Eu diria que quanto menos você souber, melhor, mas se quer saber um pouco mais, vamos lá: você é Chell, uma mulher que acorda em uma espécie de centro de pesquisas. Completamente misterioso e opressor, o local é controlado pela irônica e provocativa Inteligência Artificial GLaDOS, que conduz a protagonista através de seus experimentos. Com jogabilidade fluída, Portal vive nos instigando a jogar só mais uma salinha antes de dormir.

Os ambientes são brancos e minimalistas, e as assépticas e infinitas paredes ocasionalmente dão lugar a janelas, que parecem separar a área dos tais testes de laboratórios de salas de observação, remetendo a clássicos sci-fi do cinema setentista.

Conforme a partida avança, segredos obscuros são revelados e tudo toma proporções no mínimo catastróficas; muita coisa não é dita, apenas mostrada com a ajuda do excelente level-design e da narrativa visual característicos da Valve. Existem cenas que chegam a flertar com o terror e nos deixam cada vez mais sedentos por explicações.

Em 2011, Portal ganhou uma sequência, que expande o bizarramente contagiante universo do game e ainda oferece uma campanha Multiplayer.

The cake is a lie…


SOMA (Survival Horror, Frictional Games, 2015)


Lançado pela Frictional Games (de Penumbra e Amnesia), SOMA é um survival horror em primeira pessoa que muito se assemelha aos lançamentos anteriores da desenvolvedora e divide opiniões até hoje: é daqueles onde não se encontram armas e tudo o que pode fazer ao se deparar com uma ameaça é correr ou se esconder.

Você é Simon, sobrevivente de um acidente automobilístico que se viu desenganado pela medicina devido a uma lesão permanente no cérebro ocasionada pela batida, até que David, um neurocientista que desenvolve seu PhD em torno de um tratamento experimental e promete reverter lesões cerebrais, entra em contato.

Sem muito o que perder, Simon aceita o convite e se submete aos métodos de David. Logo na primeira sessão, durante um procedimento de tomografia, Simon perde os sentidos e acorda em um lugar completamente: a Upsilon, laboratório submarino que pertence ao centro de pesquisas PATHOS-II, aparentemente abandonado. Com a ajuda de Catherine, que o contata à distância através de transmissões de rádio, Simon precisa seguir suas instruções a fim de entender o que pode ter acontecido.

Sinistras ameaças mecânicas regidas por consciências perturbadas se misturam a inúmeras outras criaturas abissais num pesadelo que Simon sequer poderia imaginar estar se metendo. Cada camada da história esconde segredos e dilemas que podem ser muito mais perturbadores que os monstros em si.



Ghost of Tsushima (Ação/Aventura, 2020)


Lançado pela Sucker Punch exclusivamente para Playstation, o épico acompanha Jin Sakai, samurai que presenciou a primeira invasão mongol na ilha de Tsushima em 1274.

Após uma tensa e destrutiva batalha, Jin escapa da morte e parte em uma jornada pela ilha buscando meios de enfrentar a dominante presença de Khotun Khan e seus batalhões, que agora dominam todo o território.

Amplamente baseado na obra do lendário diretor cinematográfico Akira Kurosawa (Os Sete Samurais, Yojimbo), o game até oferece um “filtro Kurosawa”, que simula a granulação em preto e branco da película da década de 1960. Ghost of Tsushima apresenta diversos coadjuvantes com habilidades ímpares que podem ser tornar seus aliados ou adversários, todos com riquíssimas subtramas pessoais que se entrelaçam com a trama principal e com a história da ilha em si, proporcionando momentos intensos e emocionantes.

As diferentes possibilidades de abordagem para cada situação e a imensa quantidade de itens, missões, equipamentos e elementos da cultura japonesa servem como um belo ponto de partida para quem quer se aprofundar no assunto, tornando o game ainda mais imersivo e verossímil. Cada detalhe, diálogo, e a excelente performance dos atores remetem às grandes histórias de samurai.

Dos três games listados, certamente o mais “padrão”, por se tratar de uma aventura em mundo aberto com muito combate e sistema de evolução de itens e técnicas; tornando uma comparação com o direcionamento atual da saga Assassin’s Creed um tanto quanto impossível.

Mas e aí, conhece algum jogo da lista? Ficou curioso? Me conta nos comentários!